BLUE MURDER – BLUE MURDER (1989) REMASTERED (2013) U.K.
E para começar um novo ano, que tal algo do velho? Aliás, do velho não é bem o caso, apesar da reedição remasterizada ter saído bem no final do ano, é algo mais do glorioso tempo em que o Hard'n'Heavy era rei e senhor, os anos 80.
Mesmo no final de 2013, a Rock Candy, especialista em remasterizações, ofereceu-nos mais um marco da "golden era"; Blue Murder e o seu àlbum de estreia com o mesmo nome. Este, é uma das maiores preciosidades do hard'n'heavy, algo que está no topo dos melhores de todos os tempos, um disco com uma qualidade superior, e um grupo de músicos, sobre quem, nem sequer está aberta a qualquer discussão qualquer pormenor, seja ele relevante ou não, sobre eles e esta obra.
Este grupo foi a resposta de John Sykes, fabuloso guitarrista; ao despedimento dos Whitesnake por parte de David Coverdale. Sykes sempre foi um tipo controverso; tanto pelo seu egocêntrismo como pelo seu profissionalismo, que sobre o qual tinha bem ciente a sua capacidade; e também pela forma ortodoxa como abordava a vida profissional na indústria musical, era musico e compositor e ponto final; resto, só fazia se estivesse com vontade, como entrevistas ou filmagens.
Depois de Thin Lizzy, ingressou nos Whitesnake, mas contra a sua vontade; exigiu uma soma elevada pelo contrato para não perder a postura em recusar uma das maiores bandas da época, mas Coverdale achou que ele era demasiado bom para o deixar escapar e pagou-lhe mesmo o que pediu. Fez a parte final do "slide It In" e depois na estrada começaram as primeiras manias. Entendia que Mel Galley não era suficientemente bom e que ele, Sykes; é que devia ser o único guitarrista da banda, chegando mesmo ambos a confrontarem-se. As suas preces foram atendidas, Mel partiu um braço e Sykes fez o resto da tourné como único guitarrista e foi mesmo eleito como um dos melhores guitarristas em 1985, culminando na sua eleição como o melhor guitarrista do evento Rock In Rio desse ano. O rapaz fazia sucesso e Coverdale começava a ficar preocupado com esse êxito que lhe roubava o spotlight da sua própria banda.
Whitesnake entra em estúdio para gravar o maior êxito comercial da sua carreira, o àlbum 1987. Sykes compôs, a par de Coverdade, quase todos os temas, a excepção foi "Here I Go Again". ("Crying In The Rain" também não foi escrita por Sykes, mas foi toda reestruturada por este). Durante este período, Coverdale ficou doente com problemas de garganta e aqui caiu a gota de àgua; Sykes propôs-lhe gravar as partes restantes dos vocais ele mesmo. Coverdale partiu a loiça toda e despediu não só Sykes, como posteriormente o restante da banda. O àlbum já estava quase todo gravado, e a editora recusou alterações de produção por achar que tudo estava perfeito; e em boa hora o fez John Kalodner; e assim tudo terminou contra a vontade dos egos de todos, mas com a excepção do tema "Here I Go Again" que teve como guitarrista-solo o holandês Adrian Vandenberg; este, que era guitarrista da banda, mas em segundo plano, já que Coverdale não abdicava de ter duas guitarras a preencher o som dos Whitesnake.
(Uma curiosidade sobre esta época de Sykes nos WS. No final do show Rock In Rio de 85, dizem as más linguas que Sónia Braga teria sido convidada a privar com Sykes no seu camarim mas este recusou! Das duas, três; ou era boiola, tão bonitinho e aprumadinho; ou era menininho demais para tanta mulher, ou Coverdale fez cena de ciúmes. Será que foi por isso que Coverdale lhe ganhou rancor? eheheheheheh)
Sykes despedido, Blue Murder nascido! Nas diferenças sonoras de "Slide It In" e "1987" se nota a profunda presença de Sykes, e é isso mesmo o que vão ouvir neste primeiro disco de Blue Murder de 1989. A nova formula que tanto sucesso deu a Whitesnake foi continuada e apresentada na versão um pouco mais Hardrocker e menos comercial de Sykes. Para este disco foram contratados Carmine Appice (Drums), Tony Franklin (Bass) e Nik Green (Keyboards). Bob Rock, o produtor mais em voga naqueles dias foi o escolhido, e mais um marco na história do hard'n'heavy foi criado.
Uma curiosidade sobre este disco, é que Ray Gillen (R.I:P.), tinha sido o escolhido para vocalizar a obra, mas John Kalodner entendia que as demos que Sykes tinha gravado com a sua voz eram o ideal para apresentar no disco e convenceu-o a ser ele o intérprete final. E assim nasceu mais uma estrela na interpretação, algo entre Phil Lynott, Ray Gillen e Tony Martin. Neste disco, Sykes está fabuloso; como seria hoje Whitesnake se Coverdale tivesse aceite a proposta dele? Ainda bem que assim não foi, e tudo se arranjou, Whitesnake é hoje aquilo que conhece-mos muito por culpa de Sykes, e este seguiu outros caminhos a provar que era melhor que muitos. O seu sucesso foi moderado não obstante a qualidade do músico e do seu trabalho, mas a promoção e o seu ego não foram os melhores e Blue Murder acabou em 93, época em que o grunge começou a soar mais alto.
Soa a Whitesnake na era 1987, mas não é. Soa a Thin Lizzy, mas não é. Um mix dos dois bem elaborado é mais a definição correcta. Hard Rock melódico com bastante impacto e poder suficiente para ser catalogado de Heavy, como podemos confirmar em temas como "Blue Murder", nas épicas "Valley of The Kings" e "Ptolomy". Em "Black Hearted Woman" temos um ritmo retirado de "Gimme All Your Love" dos WS, e uma produção vocal muito próxima de Tony Martin em "Eternal Idol" dos Black Sabbath. Tony que também tentou a sua sorte neste disco logo após Gillen, mas não resultou. Será que era assim tão diferente? "Jelly Roll" é o tema mais comercial do disco. Uma peça com uma acústica country\southern bem compassada e um baixo fenomenal. Depois da 1ª parte mais acústica, na 2º é mais eléctrica mas sem perder a identidade do tema que no solo se torna balada épica com imagens de "Is This Love" dos WS.
A técnica guitarrística de John Sykes é ... apenas superiormente dinâmica. Acútilante, fluída e explosiva, tem técnica de Guitar-hero e muito poucos serão melhores do que ele. Estejam atentos à sua execução com a mão esquerda em legato e a sua complementaridade com o vibrato que executa com mestria, é mesmo de perder a respiração, ironicamente, algo que o legato não permite aos vocalistas.
Quanto à remasterização, só veio limpar um pouco o disco e dar um pouco mais de volume, no entanto digna de ser feita esta operação de cosmética. Como podem ler, só motivos mais do que suficientes para agarrarem nesta joia e ouvirem tantas vezes quantas forem precisas para desgastar a rodela, é fora de série....
Quando se comenta e opina sobre os melhores discos e os melhores tempos, bom, temos sempre que ter em conta que, quer se goste ou não, se tenha mais preferência por uns do que outros; foram esses mesmos que nos trouxeram até aqui, e denegrir obras como "1987", "Hysteria", entre muitos outros, é desconhecer isso e menos ainda o facto de que se não tivessem sido assim tão bons para aquela época, não teriam vendido às dezenas de milhões de cópias, e não foi por manipulação de massas, eram e ainda são e serão mesmo bons, o expoente máximo que influênciou todas as gerações seguintes.
Se já conheciam este disco e toda a sua envolvência, têm na mesma um grande motivo para voltar a ouvir esta obra; é mesmo boa, das melhores. Se não conheciam, bom, eis aqui parte da história daquilo que vocês tanto gostam, o vosso oxigénio e que merece a vossa melhor atenção.
ESSENCIAL!!!
NOTA: O tema 5, listado na contra capa não existe, é mesmo um erro tipográfico.
NOTA: O tema 5, listado na contra capa não existe, é mesmo um erro tipográfico.
McLeod Falou!
Temas:
01. Riot
02. Sex Child
03. Valley Of The Kings
04. Jelly Roll
05. Blue Murder
06. Out Of Love
07. Billy
08. Ptolemy
09. Black-Hearted Woman
Musicos:
John Sykes - lead vocals, guitars
Tony Franklin - bass, background vocals
Carmine Appice - drums, percussion, background vocals
Nik Green - Keyboards
Produced by Bob Rock
Engineered, Mixed & Recorded by Mike Frasier
Mastered by Greg Fulginiti & John Golden
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