ULYTAU – JUMYR KYLYSH (TWO WARRIORS) (2006\9) Cazaquistão
As viagens de Marco Polo McLeod. "... e já deveriam ser umas seis da tarde, o mar Cáspio ia ficando cada vez mais para trás, uma longa estepe estendia-se com o azul escuro da noite no horizonte. O sol ia desaparecendo nas nossas costas reflectido nas águas cáspias e serenas do maior mar rodeado por terra em todo o planeta. A caravana avançava lentamente procurando o local mais abrigado para pernoitar quando avistámos uma pequena coluna de fumo não muito longe dali. Ouvia-se musica e aquilo que pareciam festejos trazidos pelas asas dos ventos frios e típicos destas zonas quase mongóis do kazakhistão, terra dos Hunos. ao longe, ia-se erguendo uma serra conforme nos aproximava-mos cada vez mais do seu sopé. Já conseguíamos avistar aí um acampamento nómada com umas tendas redondas que circundavam por sua vez uma fogueira que ficava bem no centro e com bastante movimento á sua volta. Cada vez mais perto, encontramos uma pequeno grupo de caçadores bem alegres, que se dirigia para o acampamento, todos com peças de caça ás costas, fruto de uma boa caçada, que nos iam dizendo algo como: Ulytau, Ulytau! O nosso tradutor disse-nos que essas palavras queriam dizer "montanha sagrada". Pensei que estariam a convidar ou a orientar para algum festejo em honra da montanha que se erguia perante nós e o acampamento, talvez estes nómadas se reunissem aqui para festejar a sua montanha que devia ter algum significado sobrenatural para lhes merecer tamanho festejo e alegria. Chegamos ao acampamento, fomos bem recebidos, e logo de imediato convidados pelo ancião da tribo a participar na refeição de caça que se confeccionava na fogueira e a participar dos alegres festejos que rodeavam o grupo de bardos que tocava fabulosas melodias étnicas mescladas com musica clássica e Heavy Metal, utilizando um violino, exímiamente tocado por uma belíssima mulher de raiz kazakh, uma guitarra eléctrica metálicamente executada por um caucasiano e um instrumento peculiar que parecia um alaúde mas que apenas tinha duas cordas e que o músico mongol tocava com uma maestria divinal, sobre o qual perguntei ao tradutor e de imediato me disse que era uma dombra, instrumento típico daquela zona da Ásia central. Os nómadas, dançando e festejando iam-nos apontando e dizendo a palavra ulytau, ulytau...! Finalmente percebi, o grupo de fabulosos bardos que entretia toda uma nação chamava-se Ulytau!
E foi assim que viajando pela net, encontrei mais um espantástico grupo musical de Folk \Neoclassical metal os Ulytau, grupo originário do kazakhistão. Este grupo, composto por 3 elementos centrais, Erjan Alimbetov – Dombra, Maxim Kichigin - Guitar e Alua Makanova – Violin, são o núcleo daquilo a que eu chamo de peça magistral. Tornaram-se na minha coqueluche, e que para muitos de vós pode parecer parvo é na verdade uma designação que ainda não faz juz à qualidade musical desta banda. É certo que não será do agrado e do género de muitos de vós, mas a sua gigantesca internacionalização fala por si. Basta procurarem informação e vão ficar de boca aberta como eu. "Jumyr Kylysh" é o seu único álbum até à data, pelo menos fazendo fé na informação existente; e que foi lançado em 2006, e reeditado por uma editora alemã em 2009 com o titulo traduzido em inglês "Two Warriors". Posso afirmar-vos com toda a convicção, que apesar da orientação musical, este é um grupo de "música do mundo"; e além de fabulosos são originais! Impensável um mongol tocar um espécie de alaúde artesanal com apenas duas cordas como um autêntico guitar hero. (Esta das duas cordas já não é original, o desmiolado do baixista dos dinamarqueses DAD também toca um baixo com 2 cordas; quando se lançaram no estrelato do rock dizia que não precisava de mais cordas porque não sabia tocar mais). Mas aqui o caso é exactamente o oposto, o mongol espalha brasa. Têm mesmo que ver e ouvir, mas ver especialmente! Usem a vossa imparcialidade e vão ficar espantados, é mágico! Aos que não conhecem, já estão a perder muito tempo; aos que conhecem, podem sempre inovar e ir pedir ao Júlio Pereira para fazer uma banda de folk metal a tocar cavaquinho! (Júlio Pereira - músico português especialista em instrumentos tradicionais como o famoso cavaquinho, minúscula guitarra acústica de 4 cordas).
McLeod Falou!
(este é dedicado ao meu amigo Yaman que é fã de southern rock, uma variante deste folk Kasakh)
Temas:
01. Adai - 3:15
02. Winter - 3:58
03. Kurishiler - 3:31
04. Jumyr-Kylysh - 5:06
05. Toccata and Fugue - 4:18
06. Ata Tolgauy - 4:13
07. Turkish March - 4:13
08. Yapyr-Ai - 3:52
09. Teriskakpai - 4:05
10. Kokil - 3:36
Banda:
Erjan Alimbetov - DombraSession musicians:
Maxim Kichigin - Guitar
Alua Makanova - Violin
Roman Adonin - Keyboards
Oleg Tarnovskiy - Guitar
Serik Sansyzbayev - Bass
Rafael Arslanov - Drums
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